Autor: Sindifrigo

  • Artigo: Funrural, o cometa que não existiu

    Artigo: Funrural, o cometa que não existiu

    Por Paulo Bellincanta – presidente do Sindifrigo MT

    O governo reverbera um impacto de R$ 20 bi na ação do Funrural que foi julgada no STF.
    Acontece que isto não se trata de imposto perdoado, mas simplesmente de um imposto que nunca foi devido.
    Ressalte-se a confusão criada pelo STF que, em 2011, julgou improcedente o tributo e depois, em 2017, voltou atrás, retroagindo no tempo e desrespeitando aqueles que acataram sua decisão.
    O Funrural é uma ferida criada, curada e reaberta, não só em sua estrutura, mas também na fórmula de se fazer concretizar. Um tributo ambíguo, com uma estrutura de recolhimento nula por si só, ao ser inconstitucionalmente criado.
    Erro crasso na formulação de se processar o recolhimento determinou sua nulidade naturalmente.
    O governo quer contabilizar no prejuízo algo que ele jamais poderia ter creditado em contas a receber, uma vez que o processo corre na Justiça há décadas.
    Mensurar como impacto em contas públicas é querer jogar imprensa e opinião pública contra a classe produtora.
    Ao reformular o tributo em 2018, o governo se torna réu confesso do erro que cometeu na criação do tributo. Há uma admissão tácita do governo do erro cometido na fórmula, não só da concepção do tributo como da forma de recolhê-lo.
    O STF, que julgou em 2017 não com o olhar da Justiça, mas com o olhar político, atendendo a demandas do Executivo, acabou dando ganho de causa ao governo, mas manteve a inconstitucionalidade da sub-rogação.
    Os R$ 20 bi apregoados pelo governo devem ser comemorados como montante não injustamente imposto ao setor produtivo.
    O impacto não é algo a ser temido, mas sim a ser comemorado, porque este é o tamanho de uma injustiça que não será cometida.
    Não se trata de dinheiro que existe em algum cofre, simplesmente é dinheiro que seria usurpado do produtor rural.
    Não há impacto sem matéria e a matéria criada no imaginário do governo, desta vez, não se tornará pesadelo para aqueles que trabalham e alimentam este país.
    Que este cometa criado pelo governo passe longe da nossa gente e bem distante de nossas roças, nossas choupanas e canaviais, nossos pastos, nossas vacas leiteiras e nossos arrozais, nossos porcos, nossas galinhas e parreirais, nossas hortas, nossa piscicultura e nossos algodoais, nossos bodes, nossos carneiros e nossos cafezais. Que a Justiça prevaleça e que a produção que vem da terra não seja penalizada por este cometa chamado Funrural.

  • Indústria defende regularização ambiental e alerta para dificuldade de produtores cumprirem exigências

    Indústria defende regularização ambiental e alerta para dificuldade de produtores cumprirem exigências

    Presidente do Sindifrigo, Paulo Bellicanta, afirma que frigoríficos estão dispostos a ampliar controle sobre fornecedores, mas que maioria dos produtores irregulares enfrenta dificuldades econômicas para se adequar

    O presidente do Sindicato das Indústrias Frigorífica de Mato Grosso (Sindifrigo), Paulo Bellicanta defendeu, nesta quinta-feira (20.08), a ampliação da regularização ambiental da cadeia pecuária, mas alertou que o enfrentamento das irregularidades precisa considerar as dificuldades econômicas e históricas enfrentadas pelos produtores rurais para cumprir todas as exigências legais.

    Durante a apresentação dos resultados do 3º Ciclo Unificado de Auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal, realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) na Famato, Bellicanta afirmou que a indústria tem interesse direto em garantir a origem regular do gado e está disposta a avançar no controle dos fornecedores indiretos.

    “Nós somos, sim, parceiros, e seremos parceiros eternos da preservação ambiental, do correto, do uso da lei”, afirmou. Segundo ele, os frigoríficos também precisam participar da construção de soluções que permitam a reinserção de produtores que hoje estão fora das exigências ambientais.

    O dirigente destacou que os casos de produtores que deliberadamente descumprem a legislação são exceções. Na avaliação dele, a maior parte das propriedades que permanecem em situação irregular não está nessa condição por má-fé, mas por dificuldades para arcar com os custos e cumprir todas as etapas necessárias à regularização.

    “Nós temos raríssimos casos de má-fé, raríssimos casos de desobediência consciente da lei. Nós temos heranças de um passado de ocupação da Amazônia, onde se incentivava o desmate, não se preocupava com nada do que nos preocupamos hoje. E quem está fora da lei não são os grandes, mas os pequenos e médios que não conseguem a reinserção pela força própria”, afirmou ao defender que muitos produtores não conseguem se adequar sozinhos.

    Para o presidente do Sindifrigo, a discussão precisa avançar da simples identificação das irregularidades para a construção de mecanismos que permitam a regularização efetiva das propriedades.
    “ Reinserção do produtores ilegal hoje é fundamental para que possamos corrigir erros passados.
    Ele defendeu que o processo de regularização seja acompanhado de incentivos econômicos.

    O presidente do Sindifrigo ainda defendeu a atuação conjunta entre indústria, órgãos ambientais, Ministério Público e Congresso Nacional para encontrar caminhos de regularização que sejam aplicáveis à realidade dos produtores. Para ele, simplesmente aplicar a legislação sem criar condições para que o produtor consiga se adequar pode acabar aprofundando o problema. “ não há uma só propriedade irregular que seu proprietário não deseje a regularização “

    Controle da cadeia

    O debate ocorreu durante a divulgação do 3º Ciclo Unificado de Auditorias do TAC da Carne na Amazônia Legal, que analisou transações de gado realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024 em seis estados.

    Em Mato Grosso, 13 dos 14 frigoríficos convocados concluíram a auditoria. O volume analisado correspondeu a 82% do total de animais comercializados para abate ou exportação no Estado no período.

    Uma das novidades desta etapa foi a utilização do sistema Mappia-TAC, que automatiza o cruzamento de informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA), permitindo identificar potenciais irregularidades e direcionar a atuação dos auditores.

    Bellicanta afirmou que a indústria não pretende se furtar à responsabilidade de ampliar o controle.

    “A indústria do Mato Grosso, junto com a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), estamos prontos para sentar e para cumprir aquilo que assinamos”, declarou ao final da participação no evento.

  • Agra Agroindustrial é homenageada pelo Sindifrigo durante Fórum da Indústria em Rondonópolis

    Agra Agroindustrial é homenageada pelo Sindifrigo durante Fórum da Indústria em Rondonópolis

    Empresa do setor de alimentos foi reconhecida por sua contribuição ao desenvolvimento industrial do Sudeste de Mato Grosso

    A Agra Agroindustrial de Alimentos foi a empresa homenageada pelo Sindifrigo durante a entrega do Prêmio Destaque Empresarial do Fórum da Indústria MT 2026, realizado nesta sexta-feira (31.07) no auditório do Senai Rondonópolis.

    A honraria reconhece empresários e lideranças que se destacam pelo fortalecimento da indústria e pelo desenvolvimento econômico da região Sudeste de Mato Grosso.

    Nesta edição, o Sindicato da Indústria de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso – Sindifrigo indicou a Agra pelo trabalho e investimentos no setor de alimentos.

    O prêmio foi entregue durante o Fórum da Indústria MT 2026, promovido pelo Sistema Fiemt em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT).

    O evento reuniu autoridades, empresários e lideranças para debater o cenário econômico e estratégias para fortalecer a competitividade da indústria mato-grossense. Ao destacar a importância das homenagens, o vice-presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso, Wagner Gasbarro, reforçou o papel dos empresários na consolidação de Rondonópolis como polo industrial e logístico.

    “Esse resultado é construído diariamente por empresários que investem, inovam, assumem riscos e transformam desafios em oportunidades. O Fórum é também um espaço para reconhecer essas trajetórias, fortalecer conexões e pensar juntos os próximos passos para o desenvolvimento da nossa indústria”, destacou Gasbarro.

    Além da Agra, também foram homenageados Delmo Albres, da Fundição Técnica Mato Grosso, indicado pelo Sindimec Sul; Neumara Resmini, da Cervejaria Grand Beer, indicada pelo Siar Sul; Nelson Silveira Carvalho, do Grupo NC Imóveis, indicado pelo Sinduscon Sul; Alexandre Bertoni, da Décadas Confecções, indicado pelo Sinvest MT; Giovani Carnelós, da União Recapadora de Pneus, indicado pelo Sindirecicle/MT; e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, indicado pelo Sistema Fiemt.

    Com PIB de R$ 55,59 bilhões e crescimento de 81% nos últimos cinco anos, a região Sudeste concentra 20% da economia estadual. Rondonópolis responde por 34% do PIB e 38% dos empregos formais da região, segundo dados apresentados no Fórum pelo Sistema Fiemt.

    Para o Sistema Fiemt, a homenagem reforça a importância de empresas que agregam valor à produção local e geram emprego e renda. “Temos condições de transformar nossas vantagens logísticas e produtivas em mais industrialização, agregação de valor, empregos e renda para a região”, afirmou o presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, durante a abertura.

  • Artigo: A matemática subjetiva do preço do boi

    Artigo: A matemática subjetiva do preço do boi

    Por Paulo Bellincanta – presidente do Sindifrigo MT

    Não existem duas respostas para uma equação matemática.
    Não existe ambiguidade nos conceitos da física.
    Não existem mágicas na ciência contábil.
    Mas quando o assunto é mercado do boi, muitas vezes a lógica dá lugar às narrativas.
    Não faltam opiniões. Faltam números confiáveis.
    Se tivéssemos dados exatos sobre o tamanho do rebanho, taxa de desfrute e volume de abate, teríamos uma equação muito próxima da exatidão. Porém, além da ausência de números precisos, há outro fator que dificulta ainda mais qualquer análise: a bolsa.
    A bolsa reflete o “papel” do boi, não necessariamente o boi físico. Reflete expectativas, apostas e movimentos especulativos. Muitas vezes, é utilizada mais para influenciar o mercado do que para servir como instrumento de proteção real das operações.
    No mundo dos negócios existem períodos de estabilidade e momentos de tempestade, capazes de alterar abruptamente o ritmo do mercado.
    Estamos às vésperas de uma dessas mudanças.
    Com o encerramento da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira, teremos uma alteração importante no fluxo comercial. Nos últimos meses, o Brasil vinha embarcando para aquele país volumes superiores a 130 mil toneladas por mês. A partir de julho, esse excedente deixará de existir.
    Naturalmente, devemos considerar outros fatores. Países que aumentarão suas exportações para a China, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, poderão ampliar suas compras de carne brasileira para abastecer seus mercados internos. Também não podemos ignorar o mercado doméstico, que tradicionalmente apresenta maior consumo durante o segundo semestre.
    A grande dúvida é o tamanho desse volume adicional de demanda e se ele será suficiente para compensar a mudança no mercado chinês.
    Existe ainda um segundo fator, não menos importante: o preço.
    O valor atual do boi reflete uma realidade construída sobre vendas para a China na faixa de US$ 7.000 por tonelada. Já outros importantes destinos da carne brasileira como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Egito, México, Rússia e Canadá pagam, em média, cerca de US$ 5.500 por tonelada, patamar muito próximo ao praticado pelo mercado interno.
    Estamos falando de uma diferença próxima de 22%.
    Sem subjetividade, sem narrativas e sem exercícios de imaginação, essa diferença precisará ser absorvida por algum elo da cadeia.
    O cenário não é confortável nem para a indústria nem para o produtor.
    Essa é a equação que temos diante de nós e cuja solução precisaremos encontrar em conjunto.
    Sou tradicionalmente otimista, mas confesso estar preocupado com esse novo desafio.
    Nada que algumas semanas de acomodação não possam corrigir. Os mercados se ajustam, as oportunidades surgem e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a caminhar.

  • China abre novas oportunidades para frigoríficos de Mato Grosso

    China abre novas oportunidades para frigoríficos de Mato Grosso

    Reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação fortalece exportações e pode ampliar embarques de produtos de maior valor agregado para o mercado asiático

    O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pelo governo da China deve abrir uma nova fase para a indústria frigorífica de Mato Grosso, principal produtor e exportador de carne bovina do país. A medida, anunciada nesta terça-feira (02), elimina restrições sanitárias e amplia as possibilidades de negócios com o maior comprador da proteína bovina brasileira.

    Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, a decisão representa um avanço estratégico para toda a cadeia produtiva da carne e é resultado de décadas de investimentos em sanidade animal e rastreabilidade.

    “A decisão da China consolida um trabalho que vem sendo construído há muitos anos pelo setor produtivo e pelos órgãos de defesa sanitária. Mato Grosso possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e reúne condições para ampliar sua participação no mercado internacional com ainda mais competitividade”, afirma.

    A China é atualmente o principal destino da carne bovina mato-grossense. Apenas entre janeiro e abril deste ano, o Estado exportou US$ 797,17 milhões para o país asiático, respondendo por quase 30% de toda a carne bovina brasileira embarcada para aquele mercado.

    Segundo Bellincanta, além de reforçar a confiança dos compradores chineses na produção brasileira, o reconhecimento sanitário cria condições para avançar em negociações envolvendo produtos que possuem maior valor agregado.

    “Não estamos falando apenas de manter os volumes atuais de exportação. Essa decisão abre caminho para ampliar o portfólio de produtos exportados, incluindo miúdos, carne com osso e outros itens que possuem demanda crescente no mercado asiático. Isso significa mais oportunidades para a indústria, melhor aproveitamento da matéria-prima e geração de valor para toda a cadeia”, destaca.

    A expectativa do setor é que a medida também tenha reflexos positivos em outros mercados internacionais. A avaliação é que o reconhecimento chinês fortalece a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e pode influenciar novos acordos comerciais.

    “O reconhecimento por parte da China, que é um dos mercados mais exigentes do mundo, funciona como uma chancela importante para a pecuária brasileira. Isso tende a facilitar negociações com outros países e ampliar as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos”, avalia o presidente do Sindifrigo.

    Mato Grosso alcançou em 2025 o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), após quase três décadas sem registros da doença. O último caso no Estado foi registrado em 1996.

    Com um rebanho superior a 32 milhões de cabeças e liderança nacional na produção de carne bovina, Mato Grosso aparece entre os estados que mais devem se beneficiar da nova decisão chinesa, reforçando seu papel de protagonista nas exportações brasileiras de proteína animal.

  • Nota – Fethab 2

    Nota – Fethab 2

    O Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT) manifesta reconhecimento à decisão do Governo do Estado de não reeditar o Fethab 2 para 2027 e manter o congelamento dos valores do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) até o fim deste ano.

    A medida, anunciada pelo governador Otaviano Pivetta durante seminário com representantes do setor produtivo, atende a uma demanda histórica dos produtores rurais e representa um alívio importante na carga tributária em um momento de pressão sobre os custos de produção.

    O Sindifrigo-MT destaca o papel fundamental das entidades que conduziram esse processo de forma técnica e articulada, em especial a Famato, sob a liderança do presidente Vilmondes Tomain, o IMEA, referência nacional em inteligência de dados do agro, e o Fórum Agro MT, que atuaram de forma integrada na construção desse resultado.

    A decisão demonstra sensibilidade às demandas do setor produtivo, ao mesmo tempo em que preserva a responsabilidade fiscal e garante a continuidade dos investimentos em infraestrutura no Estado.

    O Sindifrigo-MT parabeniza, de forma especial, o produtor rural mato-grossense, que sustenta a economia estadual e segue como pilar do desenvolvimento. A não reedição do Fethab 2 simboliza a força da mobilização do agro e o reconhecimento da importância estratégica do setor para Mato Grosso.

    Paulo Bellincanta
    Presidente do Sindifrigo-MT

  • Com 12 fábricas em MT, JBS tem receita recorde em 2025

    Com 12 fábricas em MT, JBS tem receita recorde em 2025

    Companhia gera mais de 11 mil empregos diretos em Mato Grosso e alcança faturamento global de US$ 86 bilhões.

    A JBS registrou receita líquida recorde de US$86 bilhões no resultado de 2025, uma alta de 12% comparado com 2024. Em reais, o montante chega perto de meio trilhão. O lucro líquido cresceu 15% no período, consolidado em US$2 bilhões no ano. Os principais motores desses resultados anuais foram as operações da Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e Seara, que atuaram com forte expansão e geração de valor. A performance do ano comprova a resiliência da estratégia global multiproteína e multiplataforma da Companhia, que resulta em disciplina e agilidade em diferentes contextos de mercado. A JBS reportou EBITDA ajustado IFRS de US$6,8 bilhões e margem EBITDA de 7,9% no consolidado de 2025.

    Em Mato Grosso, essa solidez global é refletida em uma presença capilarizada que alcança 12 municípios: Água Boa, Alta Floresta, Araputanga, Barra do Garças, Campo Verde, Colíder, Confresa, Diamantino, Juara, Pedra Preta, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra. A companhia é hoje uma das principais forças econômicas do estado, sendo responsável pela geração de mais de 11 mil empregos diretos. Com atuação destacada nas indústrias de bovinos, aves e suínos, a JBS também opera em Mato Grosso em frentes estratégicas como produção de couros, transporte e agregação de valor, conectando a produção regional aos principais mercados mundiais.

    De acordo com o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, encerrar 2025 com o maior crescimento de receita da história da companhia comprova a força da plataforma diversificada em proteínas e geografias. O executivo destaca que o avanço de 15% no lucro reforça a consistência da execução, sustentando margens robustas e a capacidade de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas. A solidez dos resultados ao longo de 2025 também se refletiu na evolução do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que foi de 25% nos últimos 12 meses, avançando 3,2 pontos percentuais em relação a 2024.

    O desempenho foi impulsionado pela expansão dos resultados operacionais, maior disciplina na alocação de recursos e foco na geração de valor. O lucro por ação (EPS) registrou salto de 15% comparado com o ano anterior, fechando 2025 em US$1,89. A alavancagem em dólar encerrou o ano em 2,39 vezes, em linha com a meta de longo prazo e estável em relação ao terceiro trimestre. Para o CFO Global, Guilherme Cavalcanti, a estratégia permitiu manter a alavancagem controlada e um perfil de dívida alongado, garantindo segurança financeira para atravessar a volatilidade dos ciclos. No acumulado do ano, o fluxo de caixa livre totalizou US$400 milhões.

    No detalhamento por unidades de negócios, a JBS Brasil apresentou forte crescimento de receita e margem EBITDA de 6,2%. A Friboi, marca de forte presença nas unidades mato-grossenses, registrou o maior volume de processamento de sua história, reflexo da forte demanda externa e da consolidação do portfólio de valor agregado Friboi+ no mercado interno. A Seara também se destacou com margem EBITDA de 16,9%, impulsionada pelo maior volume de exportação de sua história e inovações como a linha Seara Protein e produtos para Air Fryer.

    No cenário internacional, a Pilgrim’s Pride alcançou margem de 15,2% apoiada na marca Just Bare, enquanto a JBS Austrália entregou margem de 11,3%, com destaque para o segmento de carne bovina. Nos Estados Unidos, a JBS Beef North America atingiu receita recorde de US$28 bilhões em um cenário de preços elevados devido ao menor rebanho em 75 anos. Já a JBS USA Pork registrou faturamento histórico de US$8,4 bilhões, impulsionada pela expansão do portfólio de produtos de marca e novas aquisições industriais, como a recente expansão em Iowa.

    Sobre a JBS

    A JBS é uma empresa global líder em alimentos, com um portfólio diversificado de produtos de alta qualidade, incluindo frango, suínos, bovinos, cordeiros, peixes e proteínas vegetais. A companhia emprega mais de 280 mil pessoas e opera em mais de 20 países, como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e China. No mundo todo, a JBS oferece um amplo portfólio de marcas reconhecidas pela excelência e inovação, como Friboi, Seara, Swift, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Primo, Just Bare, entre outras, que chegam diariamente à mesa de consumidores em 180 países. A empresa também investe em negócios correlatos, como couro, biodiesel, colágeno, fertilizantes, envoltórios naturais, soluções para gestão de resíduos sólidos, reciclagem e transporte, com foco na economia circular. A JBS prioriza um programa de segurança alimentar de excelência, adotando as melhores práticas de sustentabilidade e bem-estar animal ao longo de sua cadeia de valor, com o objetivo de alimentar o mundo de forma mais sustentável. Saiba mais em jbsglobal.com ._

  • Nutribras realiza mutirão com 90 atendimentos para reforçar controle médico dos colaboradores

    Nutribras realiza mutirão com 90 atendimentos para reforçar controle médico dos colaboradores

    Ação garantiu exames periódicos e atualização de riscos ocupacionais dentro do PCMSO

    A Nutribras Alimentos promoveu um mutirão de exames periódicos voltado aos colaboradores da empresa. Ao todo, foram realizados 90 atendimentos, em ação que integra o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

    Com apoio da empresa especializada em medicina do trabalho JC Work Medicina Ocupacional, o mutirão contemplou uma série de avaliações previstas conforme a função e os riscos de cada setor. Entre os procedimentos realizados estiveram exames de sangue, parasitológico de fezes, exames de imagem, avaliação psicossocial, teste de acuidade visual e audiometria.

    Além dos exames periódicos, a iniciativa também incluiu a atualização de riscos ocupacionais para colaboradores que passaram a exercer novas funções, seja dentro do mesmo setor ou em outra área da empresa.

    A ação reforça o compromisso da Nutribras com a prevenção, a segurança e o acompanhamento contínuo da saúde dos trabalhadores, atendendo às exigências legais e fortalecendo a política interna de cuidado com as pessoas.

  • Artigo: Por que não?

    Artigo: Por que não?

    Por Paulo Bellincanta

    Há hoje um esforço para buscar, junto ao governo, uma distribuição de volumes em cima da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira.

    O país asiático estabeleceu um mecanismo de salvaguarda que limita as importações quando determinados volumes são atingidos. No caso da carne bovina, a salvaguarda é acionada quando o Brasil ultrapassa a cota anual de 1,1 milhão de tonelada exportadas à China, limite a partir do qual passam a incidir tarifas adicionais sobre os embarques em 55%.

    Na prática, trata-se de um instrumento de proteção ao mercado interno chinês. Contudo, a implementação dessa salvaguarda fez com que o mercado reagisse com oscilações e, inicialmente, com posições invertidas e sem parâmetros claros. Porém, com o passar do tempo, o próprio mercado começou a encontrar um novo ponto de equilíbrio.

    Esse processo acabou trazendo benefícios para diferentes elos da cadeia: a pequena indústria, o produtor e também o consumidor.

    Para a indústria restou optar entre cumprir rapidamente a cota ou distribuí-la ao longo do ano. Essa estratégia acabou provocando uma elevação dos preços internacionais, a valorização da arroba do boi e, ao mesmo tempo, uma maior oferta de carne no mercado interno.

    Como consequência, os preços começaram a ceder para o consumidor brasileiro.
    Na última semana, a carne no atacado recuou cerca de 7%, e a tendência é que essa queda continue por pelo menos mais duas semanas, refletindo também nos preços de balcão.

    Bastou passar o período de ajuste para que as peças começassem a se encaixar, trazendo vantagens que muitos inicialmente não esperavam.

    Quando há defesa de interesses múltiplos — indústria, produtor e consumidor — não deveria existir oposição de propósitos. O que se busca é justamente o equilíbrio entre esses interesses.

    Para consolidar esse cenário, falta ainda que o governo estabeleça parâmetros e mecanismos de controle capazes de dar previsibilidade ao setor e manter esse equilíbrio ao longo do ano.

    Todo governo tem a obrigação de cuidar do seu setor produtivo ao mesmo tempo em que protege o consumidor. A ausência de ação governamental pode se transformar em uma postura perversa, permitindo desigualdade de condições e gerando desequilíbrios econômicos e por consequência, sociais.

    Enquanto isso, a carne brasileira segue forte no mercado internacional e com uma versatilidade invejável. O desafio agora é transformar esse momento de ajuste em uma estratégia permanente de equilíbrio entre exportação, produção e abastecimento interno.

    *Paulo Bellincanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

  • Artigo – O risco

    Artigo – O risco

    Por Paulo Bellicanta

    A salvaguarda adotada pela China para proteger sua produção local é, sem dúvida, uma medida legítima e até exemplar. Trata-se de uma decisão soberana que demonstra o zelo com o produtor interno, algo que também deveríamos praticar com igual rigor. O ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação.

    No caso específico da carne vermelha brasileira, é indispensável considerar a dinâmica própria desse comércio. A relação entre produção, embarque e entrega opera em ritmo acelerado e com contratos previamente estabelecidos. O ciclo médio entre a produção e a chegada do produto ao destino gira em torno de 75 dias, o que significa que qualquer alteração abrupta nas regras impacta volumes já comprometidos e em trânsito.

    À época da implementação da medida, o volume comercializado era da ordem de 170 mil toneladas por mês, o que representa aproximadamente 7.700 toneladas por dia. Projetado para o período de 75 dias, isso resulta em cerca de 500 mil toneladas em trânsito, desconsiderando inclusive eventuais interrupções por feriados. Diante da cota atual, a diferença alcança quase 50% do total pretendido, criando um descompasso evidente entre oferta e limite autorizado.

    Esse cenário pode levar, em menos de seis meses, à ausência do produto brasileiro no mercado chinês. Por isso, a solicitação do Brasil para que sejam consideradas na cota de 2026 apenas as cargas efetivamente embarcadas neste ano não é um pleito meramente setorial, mas uma medida vital para a sobrevivência do setor produtivo brasileiro e para o equilíbrio do abastecimento, sem prejuízo ao produtor chinês, justamente o objetivo central da salvaguarda.

    Os números são claros. Em 30 de dezembro de 2025 havia cerca de 350 mil toneladas entre portos chineses e cargas em trânsito. Somam-se a isso 120 mil toneladas exportadas em janeiro e uma previsão de 100 mil toneladas para fevereiro. Ao final desse período, o total entregue poderá alcançar 570 mil toneladas. Restariam, então, para os dez meses seguintes de 2026, apenas 530 mil toneladas, o equivalente a 53 mil toneladas por mês, frente às 170 mil entregues em dezembro.

    Não se trata de uma análise teórica ou de projeções especulativas, mas da leitura objetiva de números que já sinalizam risco de desabastecimento no mercado chinês e grave impacto sobre a cadeia produtiva brasileira. É imprescindível que a diplomacia brasileira leve à mesa das relações bilaterais essa realidade concreta, demonstrando que ajustes técnicos são necessários para preservar a previsibilidade e a estabilidade do comércio.

    A China é, indiscutivelmente, nossa grande e leal parceira comercial. O que se impõe agora é a capacidade de expor, com dados e serenidade, as preocupações legítimas de um setor estratégico para ambas as economias.

    Paulo Bellicanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

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